domingo, 11 de maio de 2008

Martins Pena com sotaque nordestino

Eu havia dito aos meus alunos que este Blog não seria um lugar de contar apenas meus"causos" da sala de aula, mas sobretudo o espaço de produção de leitura e produção de literatura, a deles, produzida por eles também.

Não menti, a intenção é justamente esta!

Contudo na edição de hoje contarei a vocês, meus alunos e leitores, como um escritor carioca do século XIX, ganhou um sotaque elegante e, sobretudo, criativo, produzido por um aluno e como outros transformaram um texto já excelente em uma verdadeira obra de arte, em todos os aspectos, incluindo a interpretação.

A atividade aconteceu na quinta, 9 de maio. Estudávamos um fragmento de "Juiz de Paz da roça", de Martins Pena, dramaturgo conhecido por seu humor (comédia de costumes) e ironia. No trecho citado,o personagem de Francisco Antônio, casado com Maria de Jesus e que recebeu por dote uma égua, reclama ao juiz a propriedade de um potrinho "filho da égua da sua mulher" com o "cavalo do seu vizinho José da Silva".

Claro, como era de se esperar, a peça brinca com a ambigüidade das palavras.

Pedi aos meus alunos, que "modéstia à parte são excelentes nesse tipo de atividade" que dramatizassem a peça e fizessem as adaptações possíveis. Assim, com praticamente 15 minutos de ensaios, o 2º A apresentou para o 2º B e depois para o 2º E; o 2º E para o 2º D e por sua vez o 2º D apresentará para o 2º C. Foi um show, cada grupo adaptava o texto com sua "dose de classe" e aquilo que achava relevante.


Mas, algo muito interessante aconteceu: no 2º E, um aluno chamado Anderson, geralmente quieto, que senta no famoso "fundão da sala de aula", se candidatou para fazer o papel de Fransciso Antônio, representado como o brigão. Havia um alvoroço geral na sala de aula e um barulho produtivo. Entre os gritos de quem faz o quê até a hora de apresentar para a outra sala, a sensação era a da estréia de uma "grandiosa produção teatral".

Quando na cena em que Franscisco Antônio entra trazendo José da Silva pelo "gangote", Anderson "me sai" com esta peróla:

- Ora, seu cabra da moléstia, devolva o "filho da égua da minha mulher" senão faço um buraco no seu bucho e passo por dentro dele!

RSRSRSRSRSRSRS... NA PLATÉIA E NOS ATORES TAMBÉM, AINDA QUE DISFARÇADO POR CAUSA DA CENA...


Sinceramente, acho que Martins Pena deve ter aplaudido muito a encenação das minhas turmas do 2º colegiais e deve ter imaginado que Francisco Antônio, sendo na peça português, ficou extremamente charmoso com seu sotaque nordestino!


Quanto à turma do 2º E, elegeram por unanimidade a atuação do Anderson como a melhor entre todas.


Eu descobri entre as turmas: - não vou citar mais outros nomes em particular por receio de esquecer de algum - 2º A e E artistas natos.




Quando ao Anderson - eu o elejo como o novo Mateus Nachtergaele de Guarulhos!




Obs.: Vocês observaram que eu diminuir o colorido das letras? Pois é, um aluno comentou que estava colirido demais ou que tinha a cor rosa demais! Resolvi "manerar" um pouco, para atender a alguns pedidos, afinal o espaço é nosso!

Desculpe Clécio, força do hábito!


RSRSRSRSRS!



Para todos, o fragmento estudado e representado:

Juiz (assentando-se): Era muito capaz de esquecer. Sr. Escrivão, leia o outro requerimento.

Escrivão (lendo): Diz Francisco Antônio, natural de Portugal, porém brasileiro, que tendo ele casado com Rosa de Jesus, trouxe esta por dote uma égua. “Ora, acontecendo ter a égua de minha mulher um filho, o meu vizinho José da Silva diz que é dele, só que o dito filho da égua de minha mulher saiu malhado como o seu cavalo. Ora, como os filhos pertencem às mães, e a prova disto é que a minha escrava Maria tem um filho que é meu, peço a V.S.a mande o dito meu vizinho entregar-me o filho da égua que é de minha mulher”.

Juiz: É de verdade que o senhor tem o filho da égua preso?

José da Silva: É verdade, porém o filho me pertence, pois é meu, que é do cavalo.

Juiz: Terá a bondade de entregar o filho a seu dono, pois é aqui da mulher do senhor.


José da Silva: Mas, Sr. Juiz...

Juiz: Nem mais nem menos, entregue o filho, senão, cadeia.


José da Silva: Eu vou queixar-me ao Presidente.

Juiz: Pois vá, que eu tomarei a apelação.

José da Silva: E eu embargo.

Juiz: Embargue ou não embargue, embargue com trezentos mil diabos, que eu não concederei revista no auto do processo!

José da Silva: Eu lhe mostrarei, deixe estar.

Juiz: Sr. Escrivão, não dê anistia a este rebelde, e mande-o agarrar para o soldado.

José da Silva (com humildade): vossa Senhoria não se arrenegue! Eu entregarei o pequira.

Juiz: Pois bem, retirem-se; estão conciliados. (Saem os dous.) Não há mais ninguém? Bom, está fechada a sessão. Hoje cansaram-me!

PENA, Martins: Juiz de Paz da Roça . Disponível em: http;//vbookkstore.uol.com.br/nacional/misc/juiz.shtml

3 comentários:

Anônimo disse...

kkkkkkkkk.

agora ficou bem melhor professora.
mais alguns detalhes e vai ficar o bicho.
kkkkkkkkkkkkkkkk

Anônimo disse...

Muito boa ficou essa matéria, uma das melhores do blog.
A interpretação do José madeira foi muito boa mesmo, ele ta de parabéns.^^

Wellington Silva disse...

OLá Profª. Vera,
sou eu de novo (Wellington - 3°B)
da uma olhadadinha no meu BLOG >>

www.DICASONLINE.uniblog.com.br

DEIXA UM COMENTÁRIO HEIN rsrsrsr!!!