domingo, 18 de maio de 2008

Não há pedras no caminho que nos impeçam de caminhar



Luciano, 16 anos, aluno do 2º colegial F, é um rapaz calmo, estudioso sem necessariamente precisar ser “CDF”. Lecionei para ele nos anos de 2005 e 2007 (7ª e 8ª séries), mas conheço parte de sua família, pois já fui professora de seus irmãos Laércio e Leidiane e, sinceramente, gostaria de saber qual a receita que os pais deles têm para formar jovens tão educados, comprometidos e inteligentes.
Sempre que Luciano me vê, abre um sorriso e uma voz, já modificada pela idade adulta que se aproxima, dizendo:


- Olá, professora Vera!

Não sou a professora dele neste ano, mas há algumas semanas ele me encontrou pelos corredores da escola e perguntou se eu queria ler o livro que ele escrevia. É isso mesmo, caro leitor, ele está escrevendo um livro e seu grande sonho é publicá-lo. Fico imaginando quantos adultos tremem diante de umas palavrinhas que tem de escrever, enquanto um garoto – no bom sentido, Luciano – escreve um livro. A história é bem original e criativa. Resolvi então fazer uma entrevista – ainda que informal – para descobri um pouquinho da obra dessa promessa da futura literatura brasileira e entender o que o levou a tamanha façanha pelo mundo das letras.

Sala dos professores da escola, dia 7 de maio de 2008, Luciano e eu. Ele um pouco tímido, não sei se pela característica da sua personalidade ou se pela situação:

Ler é o Máximo: Luciano, quando você desenvolveu o gosto pela leitura?

Luciano: Sempre gostei de ler. Talvez, o princípio foi quando meu irmão Leandro resolveu escrever uma história e contava para mim, quando percebi não conseguia parar de ler a história dele.

Ler é o Máximo: Quer dizer então que toda família é escritora? Você recebe incentivos dos seus pais?

Luciano: Nem todos gostam de escrever. Minha mãe me incentiva, até comprou um livro pra mim que ela viu na escola que estudava chamado “O pequeno pássaro com frio” - conta a história da mãe que despreza o filho, falando coisas feias pra ele, a criança tem que sobreviver sozinha.


Ler é o Máximo: E o seu pai?

Luciano: Acho que ele incentiva indiretamente, ele não fala muito, não.

Ler é o Máximo: Que tipo de livros você lê?

Luciano: Gosto de livros informativos, ficção científica, daqueles de conscientização que falam da Amazônia, drama, mas principalmente gosto de notícias, revistas, jornais.


Ler é o Máximo: Você já escolheu uma carreira?

Luciano: Não sei, ainda. Agora estou achando interessante a área de Direito.

Ler é o Máximo: Fale-nos um pouquinho do seu livro.

Luciano: O nome dele é “GUARHUS – O SEGREDO DAS PEDRAS”, conta a história de que nos tempos atuais a humanidade tem poderes especiais, gerados por pedras que caíram do céu numa época passada. Um grupo de colegas decide entender a origens desses poderes. Essa busca causa nos amigos uma série de conflitos antigos e os envolvem em grandes aventuras.

Ler é o Máximo: É verdade que seus personagens foram inspirados nos seus colegas de escola?

Luciano: É, mas não todos os traços.

Ler é o Máximo: Por isso que alguns deles dizem que você fez um livro deles?

Luciano: Mais ou menos. O personagem Leddi, o protagonista que controla o poder das águas trazido pela pedra azul e que aparentemente é o mais fraco da história tem como inspiração minha irmã Leidiane, mas ele tem mais características minhas que dela.

Ler é o Máximo: Cada pedra traz um poder. Quantas são ao todo?

Luciano: Conhecidas, cinco: azul, amarela, verde, vermelha e branca. Duas ainda são desconhecidas: cinza e preta e quem encontrá-las terá uma grande surpresa.

Ler é o Máximo: Seu livro, na verdade, conta duas história paralelamente, não é?

Luciano: Sim, as aventuras e conflitos do grupo de colegas na época presente e a história de como a humanidade conseguiu as pedras e os poderes numa época passada.

Ler é o Máximo: Nossa que legal, Almeida Garrett no livro “Viagem a minha terra” conta duas história assim, paralelamente. Luciano você tem a intenção de publicar seu livro?


Luciano: Gostaria muito, mas sei o quanto é difícil. Ele já tem 7600 palavras escritas.

Ler é o Máximo: E como surgiu a idéia de escrever o livro?

Luciano: Não sei, professora, surgiu de um dia comum (ele sorri timidamente). Escrevo para deixar um pouco de mim, as palavras se perdem, o escrito, não.


Ler é o Máximo: Desejo muito que seu livro seja publicado e quando isso acontecer gostaria de uma dedicatória...rsrsrs

Luciano: Muitos já me pediram...rsrsrs

Ler é o Máximo: Então, um exemplar autografado, certo?


Luciano: Certo!


Nos despedimos e ele sai, um arrepio de felicidade percorre o meu corpo. As palavras de Luciano martelam na minha cabeça, é para isso que a literatura também serve, daqui há anos, não restará vestígios de nós mesmos, que marcas deixaremos no mundo, alguns passaram por ele sem se quer arranhá-lo. Outros imprimirão suas palavras como carimbos permanentes: “Escrever é deixar uma parte de si para posteridade”. Quantos Lucianos existem nas escolas, sem que seu talento seja reconhecido.

Lu, meu querido, fé, força, torço para que você deixe sua marca no mundo.

Vera.

2 comentários:

Anônimo disse...

Nossa, muita coragem da parte dele!Super poderes não é nenhuma novidade, porém escrita de forma inteligênte pode até virar seriado de tevê!^^
Boa sorte e sucesso pra vc...

Sonia disse...

Olá Verinha! Você sabia que o nosso Luciano além de ser um ótimo escritor é ótimo também em MAtemática? Pois é. Ele participou das Olimpíadas de Matemática e conseguiu Mensão Honrosa! Parabéns à você Luciano e a sua família estamos orgulhosos de você.
É Verinha, cada dia descobrimos que nossos alunos possuem talentos ocultos que só precisam ser descobertos para serem valorizados.
Beijos e até mais....