Aqui, caro leitor, abro espaço para a literatura feita por meus alunos. Vou contextualizar o trabalho. O assunto das aulas que antecederam este trabalho foi o texto como veículo de contestação, crítica social. Para isso, alguns textos foram analisados como apoio:
Verdade, Honra e Vergonha – Gregório de Matos, Juiz de Paz da roça de Martins Pena – músicas: Caviar de Luiz Grande/Marcos Diniz/ Barbeirinho do jacarezinho, 2001 e Ideologia de Cazuza e Frejat. A proposta a seguir é que os alunos fizessem seu próprio texto de crítica social em forma de poema. De cada sala e por eleição, os próprios alunos escolheram dois poemas para serem publicados no Blog, eis então os críticos poetas representantes de cada turma:
1) ELOGIO DE MAMÃE NÃO CONTA, NÃO!
O que falta na realidade
É um homem de verdade.
Se acha o gostosão,
Dirigindo o carrão.

Elogio de mamãe não conta, não!
Acha que se tocar a buzina,
Eu já vou pular em cima.
Se toca, eu não sou gasolina!
Tem carteira recheada,
Mas fica melhor de boca fechada.
Quantidade não quer dizer qualidade.
O que me atraia em um homem
É a humildade.
(Jéssica Alecsandra – 2º A)
2) HOMEM X MULHER
O homem e a mulher
Nenhum dos dois sabe o que quer.
Um dia é só amor,
No outro é só horror.
É como dia e noite,
Noite e dia...
Elas dizem: “Você só sabe reclamar!”
Eles dizem: “Você só sabe chorar!”
Enfim cada um no seu lugar
Nenhum dos dois sabe o que quer
Mas o que importa é só se amar.
Porém, que homem entende uma mulher?
Elas: carinhosas?
Eles: infiéis?
Elas: orgulhosas?
Eles: fiéis?
Vivendo com as diferenças
Ninguém sabe o que quer
Porém a realidade é...
Homem x Mulher.
(Franciele Feliciano e Tamires Cássia 2ª A)
3) GAROTOS E GAROTAS
Garotos educados com dinheiro.
Garotas que só pensam no cabelo.
Em qual loja? De que marca? Em que lugar?
Esses riquinhos só pensam em gastar.
Ele com seu carrão vermelho.
Ela com silicone no traseiro.
Shoppings, clubes, festas e bares,
Eles estão em todos os lugares.
Talvez um dia, eles verão
O quanto gastaram em vão.
Talvez um dia, alguém amadureça
E tire essas coisas da cabeça.
Não é a minha intenção criticar
Mas essas coisas tem que acabar.
Enquanto crianças morrem de fome,
Vocês não dão valor ao que comem.
(James Felipe 2ªB)
4) QUE VEXAME
Ele é um jogador
E sabe se vestir
Diz que pega mulher,
Mas só pega travesti.
Ele joga bola
E morou na Itália.
Será que dá esmola
Ou será que usa saia?
Ele já foi casado
Mas durou só um mês.
Hoje ela beija sapo
E ele pega gay.
Ele chamou duas mulheres
Mas veio dois “travecao”.
Que vexame, um fenômeno
Contribuindo para prostituição.
(Jean F.F. Silva e Thiago da Silva – 2ª B)
5) DISCRIMINAÇÃO
Ninguém tem o poder de discriminar alguém
Porque ninguém é igual a ninguém
Ninguém é perfeito,
Todos nós temos virtudes e defeitos.
É um tal de “gordinho” ali,
É um tal de “feinho” aqui,
É um tal de “neguinho” lá
É um tal de “pobrinho” cá.
Vivemos em uma sociedade
Em que quase não se fala com sinceridade
Às vezes impera a falsidade
Mas todos temos qualidades.
O preconceito fala mais alto,
A discriminação vai mais além.
Respeitem um ao outro,
Pois ninguém é igual a ninguém.
(João Batista, Joel Almeida
e Patrícia Moreira – 2ª C)
6) DESIGUALDADE SOCIAL
A cor não distingue a raça.
O dinheiro não distingue o caráter,
Mas todos precisamos
De uma pessoa que faça.

Faça um mundo melhor,
Com coisas diferentes
Para sermos pessoas felizes,
De caráter, verdadeiramente gente.
Terra boa, tão boa
Que dá pra se ver
Comida jogada no lixo,
Mas nenhum grão pra se comer.
Justiça e injustiças,
Pois é, povo brasileiro
Que não tem preguiça,
Porque acima de tudo é guerreiro.
(Jéssica Gama e Laís Propércio – 2º C)
7) LÁGRIMAS DE ANJO

Pai, por que fazes tamanha maldade comigo?
Pai, não jurastes ser meu fiel amigo?
Minhas pequenas mãos te acariciam,
Enquanto minha morte providenciam.
Clamo por seu socorro, enquanto sou agredida.
Ao ver sua frieza, vejo em Deus, minha única saída.
Bruxa malvada, tire suas mão de mim!
Logo encontrarei minha mãe, e isso acabará enfim.
Soltas meu braço e vigiai minha queda artificial.
Soltas meu braço, porque é meu pai, é amante do dinheiro e do mal.
Me liberte cruelmente dessa sociedade alicerçada em “notas de cem”.
Soltas meu braço e cairei em mãos que hoje não lhe convém.
Envolvida em tamanha luz.
Daqui de cima, vejo uma humanidade que, por si só, não nos conduz.
É movida de covardia e falsidade, pais pobres criam calos em meio ao tédio.
Pais pobres vêem seus filhos morrerem, tudo por causa de um caro remédio.
Isso me fez chorar, enquanto caía daquele prédio.
(Rony de Souza e Bruno0 Oliveira- 2ª D)
Desenhos: Rony de Souza - Lindooooos!