Eu havia dito aos meus alunos que este Blog não seria um lugar de contar apenas meus"causos" da sala de aula, mas sobretudo o espaço de produção de leitura e produção de literatura, a deles, produzida por eles também.Não menti, a intenção é justamente esta!
Contudo na edição de hoje contarei a vocês, meus alunos e leitores, como um escritor carioca do século XIX, ganhou um sotaque elegante e, sobretudo, criativo, produzido por um aluno e como outros transformaram um texto já excelente em uma verdadeira obra de arte, em todos os aspectos, incluindo a interpretação.
A atividade aconteceu na quinta, 9 de maio. Estudávamos um fragmento de "Juiz de Paz da roça", de Martins Pena, dramaturgo conhecido por seu humor (comédia de costumes) e ironia. No trecho citado,o personagem de Francisco Antônio, casado com Maria de Jesus e que recebeu por dote uma égua, reclama ao juiz a propriedade de um potrinho "filho da égua da sua mulher" com o "cavalo do seu vizinho José da Silva".
Claro, como era de se esperar, a peça brinca com a ambigüidade das palavras.
Pedi aos meus alunos, que "modéstia à parte são excelentes nesse tipo de atividade" que dramatizassem a peça e fizessem as adaptações possíveis. Assim, com praticamente 15 minutos de ensaios, o 2º A apresentou para o 2º B e depois para o 2º E; o 2º E para o 2º D e por sua vez o 2º D apresentará para o 2º C. Foi um show, cada grupo adaptava o texto com sua "dose de classe" e aquilo que achava relevante.
Mas, algo muito interessante aconteceu: no 2º E, um aluno chamado Anderson, geralmente quieto, que senta no famoso "fundão da sala de aula", se candidatou para fazer o papel de Fransciso Antônio, representado como o brigão. Havia um alvoroço geral na sala de aula e um barulho produtivo. Entre os gritos de quem faz o quê até a hora de apresentar para a outra sala, a sensação era a da estréia de uma "grandiosa produção teatral".
Quando na cena em que Franscisco Antônio entra trazendo José da Silva pelo "gangote", Anderson "me sai" com esta peróla:
- Ora, seu cabra da moléstia, devolva o "filho da égua da minha mulher" senão faço um buraco no seu bucho e passo por dentro dele!
RSRSRSRSRSRSRS... NA PLATÉIA E NOS ATORES TAMBÉM, AINDA QUE DISFARÇADO POR CAUSA DA CENA...
Sinceramente, acho que Martins Pena deve ter aplaudido muito a encenação das minhas turmas do 2º colegiais e deve ter imaginado que Francisco Antônio, sendo na peça português, ficou extremamente charmoso com seu sotaque nordestino!
Quanto à turma do 2º E, elegeram por unanimidade a atuação do Anderson como a melhor entre todas.
Eu descobri entre as turmas: - não vou citar mais outros nomes em particular por receio de esquecer de algum - 2º A e E artistas natos.

Quando ao Anderson - eu o elejo como o novo Mateus Nachtergaele de Guarulhos!
Obs.: Vocês observaram que eu diminuir o colorido das letras? Pois é, um aluno comentou que estava colirido demais ou que tinha a cor rosa demais! Resolvi "manerar" um pouco, para atender a alguns pedidos, afinal o espaço é nosso!
Desculpe Clécio, força do hábito!
RSRSRSRSRS!
Para todos, o fragmento estudado e representado:
Juiz (assentando-se): Era muito capaz de esquecer. Sr. Escrivão, leia o outro requerimento.
Escrivão (lendo): Diz Francisco Antônio, natural de Portugal, porém brasileiro, que tendo ele casado com Rosa de Jesus, trouxe esta por dote uma égua. “Ora, acontecendo ter a égua de minha mulher um filho, o meu vizinho José da Silva diz que é dele, só que o dito filho da égua de minha mulher saiu malhado como o seu cavalo. Ora, como os filhos pertencem às mães, e a prova disto é que a minha escrava Maria tem um filho que é meu, peço a V.S.a mande o dito meu vizinho entregar-me o filho da égua que é de minha mulher”.
Juiz: É de verdade que o senhor tem o filho da égua preso?
José da Silva: É verdade, porém o filho me pertence, pois é meu, que é do cavalo.
Juiz: Terá a bondade de entregar o filho a seu dono, pois é aqui da mulher do senhor.
José da Silva: Mas, Sr. Juiz...
Juiz: Nem mais nem menos, entregue o filho, senão, cadeia.
José da Silva: Eu vou queixar-me ao Presidente.
Juiz: Pois vá, que eu tomarei a apelação.
José da Silva: E eu embargo.
Juiz: Embargue ou não embargue, embargue com trezentos mil diabos, que eu não concederei revista no auto do processo!
José da Silva: Eu lhe mostrarei, deixe estar.
Juiz: Sr. Escrivão, não dê anistia a este rebelde, e mande-o agarrar para o soldado.
José da Silva (com humildade): vossa Senhoria não se arrenegue! Eu entregarei o pequira.
Juiz: Pois bem, retirem-se; estão conciliados. (Saem os dous.) Não há mais ninguém? Bom, está fechada a sessão. Hoje cansaram-me!
PENA, Martins: Juiz de Paz da Roça . Disponível em: http;//vbookkstore.uol.com.br/nacional/misc/juiz.shtml
3 comentários:
kkkkkkkkk.
agora ficou bem melhor professora.
mais alguns detalhes e vai ficar o bicho.
kkkkkkkkkkkkkkkk
Muito boa ficou essa matéria, uma das melhores do blog.
A interpretação do José madeira foi muito boa mesmo, ele ta de parabéns.^^
OLá Profª. Vera,
sou eu de novo (Wellington - 3°B)
da uma olhadadinha no meu BLOG >>
www.DICASONLINE.uniblog.com.br
DEIXA UM COMENTÁRIO HEIN rsrsrsr!!!
Postar um comentário