domingo, 15 de junho de 2008

Minha aluninha da 6ª série


Olá, abro espaço hoje para trazer a vocês um texto feito por uma aluninha da 6ª série da escola. Sei que não mencionei que tenho uma 6ª série, eles são ótimos.
Hoje falo da Raquel, todos dizem que a letra dela é ótima, e é mesmo!
Trabalhávamos o gênero Relato e levei para eles um fragmento do livro "Relato de um náufrago", de um dos grandes mestres da literatura. Conta a história verdadeira de um marinheiro colombiano que ficou perdido no mar por dez dias até ser encontrado a beira da morte numa praia da Colombia. Ele conta os desafios que passou nesses dez dias, enfrentando tubarões, a fome e a sede.
Propus então que meus alunos escrevessem um relato baseado na história desse colombiano, mas como o gênero pede, teria de ser coerente. Cada aluno teria uma profissão que exigisse a viagem, num mapa localizariam o lugar de partida, o lugar de chegada, mas principalmente onde eles iriam naufragar. De todos os textos, o de Raquel se destacou:

Oito dias que se tornaram oitenta anos
Irei contar sobre uma experiência nada agradável da minha vida, que começa em uma viagem,
Sou Raquel, tenho 20 anos, trabalho como escritora e sou casada, viajei do Brasil para o Congo (África), fui a passeio (buscar inspiração) e fui sozinha.
Tudo estava correndo normalmente, peguei o avião e dormir, alguns minutos acordei, pois o avião estava balançando muito, ao ler uma revista que falava sobre mortes no mundo, fiquei um pouco assustada, parei de ler, quando na segunda classe,ouvi gritos dizendo que o avião iria cair, as aeromoças começaram a se preocupar, mas tentando acalmar os passageiros. Uns começaram a chorar, a entrar em desespero, o co-pilotomandou pegar os pára-quedas, mas foi tudo muito rápido: cai no mar, e sem me dar conta ao certo, me deparo num pedaço de terra, via muitas árvores e estranhei, me levantei pois a água do mar tinha me acordado.
O céu estava bem azul, como se fosse mais um lindo dia em minha vida, quando começo a lembrar que o avião havia caído, então me afastei um pouco do mar e fui procurar os outros passageiros, quando, em vez de encontrá-los, encontrei o avião quase todo despedaçado, foi aí que percebi, era a única sobrevivente.
Cai no Oceano Atlântico, próximo de São Tomé e Príncipe, numa ilha desconhecida (soube disso mais tarde).
As horas foram passando e a noite chegou, aparentando ser 8h, o vento estava muito forte, as folhas das árvores estavam "batendo palmas" e eu sem sono, fiquei perto dps restos do avião, alguns minutos se passaram e devido ao cansaço peguei no sono - sendo esse o meu primeiro dia.
Amanheceu, segundo dia, acordei com o meu estômago roncando e fui procurar algo para comer, andei, andei até que achei algumas maças e sem quase mastigá-las eu as engoli de tanta fome. Também estava com muita sede, fui pra perto de uma cachoeira e me saciei.
Voltei para ficar perto do avião e encontrei algumas roupas e mais nada, comecei entrar em desespero, pois não aguentava mais ...
Os dias foram passando e eu perdia cada vez mais a esperança, até que no sétimo dia ouvi o barulho de um helicóptero, fui correndo vê-lo, acenei várias vezes mas ele passou. Como estava cansada e com fome, pois só frutas não me sustentaram, fui dormir. No oitavo dia, vi o helicóptero novamente e acenei mais uma vez com pedidos de socorro, pareciam me ver, mas passaram reto novamente. Quando era por volta das 3h, vi algo aparecer no horizonte, estava se aproximando da ilha, quando chegou mais perto, pude ver era um navio e comecei a pedir socorro e que me ajudassem. Eles me viram e me resgataram, pois aquele helicóptero avisou os "policiais" que vieram me resgatar de navio, pois a descida de helicóptero era difícil.
Minha vida ficou diferente, mas sei que isso nunca irá sair da minha cabeça, pois para mim foi uma experiência "traumatizante", foi uma viagem perdida, mas penso até hoje, não sei se foi sorte ou acidente, mas o incrível é saber que fui a única sobrevivente, porque até foram oito dias de desespero, pra mim foi como se fosse uma eternidade, mas é uma coisa que marcou minha história, tanto que fiz um livro contando esse isso, que se chama "Entre a morte e o resgate - oito dias que se tornaram oitenta anos".

Raquel.